Por Célio Barcellos
Era uma quinta-feira bem cedinho, quando levei a minha filha num transporte coletivo até Campinas-SP.
Aquela manhã estava gelada à semelhança do inverno australiano e a tundra da Groenlândia.
Enquanto conversava com a minha garotinha e o sol nos aquecia, eu observava as pessoas adentrarem ao ônibus e muitas delas ainda sonolentas em direção ao trabalho.
Nitidamente, era possível ver o cansaço nos cochilos quase que em sono REM.
Naquele mesmo ônibus sentando na poltrona à frente da minha filha, estava o Sr. Paulo Bonilha – um Colportor ocasional e muito dedicado à missão do evangelho.

O Bonilha se aproximou de nós e fomos conversando até a Rodoviária e de lá chamei um Uber e o convidei para ir conosco, uma vez que ele também estava indo para a sede administrativa da Associação Paulista Central.
O Bonilha é daqueles cristãos que não perdem a oportunidade para falar de Jesus às pessoas. Tem sempre a tira-colo livros e folhetos com mensagens de esperança.
O Bonilha é um lutador!
Ao resolvermos os compromissos em Campinas, chegamos novamente à Rodoviária para embarcarmos no coletivo de volta para Jaguariúna.
Dessa vez, à medida que o ônibus ia parando, mais pessoas adentravam, até o momento em que não havia mais assentos vazios.
Comecei a prosear com a minha filha e tirar lições daquele ambiente. Mostrei para ela a dura vida das pessoas que saem de casa bem cedinho em busca da sobrevivência diária.
Aproveitei para falar acerca da dificuldade de muitos irmãos que diariamente lutam pela sobrevivência e sofrem os preconceitos e até mesmo humilhações por causa de sua fé. Especialmente no que se refere à observância do sábado.

Por alguns momentos enquanto eu observava as casas e edifícios de concretos, lembrei-me de minha vida simples e dos retirantes do sertão que saem em busca de oportunidades.
Olhar para aqueles rostos cansados, é reconhecer que viver é algo extraordinário, mas que a sobrevivência é uma maratona que muitas vezes provoca exaustão.
Naquele instante, ofereci o meu lugar para uma senhora e ela recusou. Notei que uma outra estava um tanto desconfortável por estar de pé. Perguntei se ela gostaria de sentar e prontamente ela aceitou.
A partir daquele momento, o trajeto de uma hora de viagem pareceu voar, pois a Sra. Antônia (nome fictício) que recusara o assento, puxou assunto e fomos conversando sobre a vida, sobre os perigos, sobre segurança e sobre Deus.
Assim, ao chegarmos de volta em casa em paz e segurança, agradecemos a Deus pela vida e pela oportunidade de conviver com as pessoas. Afinal, é no coletivo que tiramos lições para a vida. Espero que a minha garota carregue isso para a vida.